quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Poesia enviada para o nosso blog pela aluna Pollyana - 1º ano



Soneto
(Luís de Camões)

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, em mim, converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz, de mor espanto,
que não se muda já como soía.
In A. J. da Costa Pimpão. Op. cit. pág. 162.

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