domingo, 10 de abril de 2011

ÁREA DE LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS

Oficina: Olimpíada da Língua Portuguesa
Texto 1

Buscando contribuir para a superação das dificuldades dos estudantes brasileiros

Autora: Heloisa Amaral

Como todos os leitores sabem, o Programa Escrevendo o Futuro foi criado com esse propósito: auxiliar os professores a diminuírem os problemas de leitura e escrita de seus alunos.

Encerrada mais uma etapa de premiação, no final de 2006, os resultados animam todos que estão envolvidos, de alguma forma, com o ideal do Escrevendo. Um dos resultados observados é que os textos das crianças semifinalistas foram excelentes, mostrando o progresso de alunos e professores que se engajaram no Programa em mais de uma de suas edições. Outro foi o número de professores que aderiram ao Programa em todos as suas atividades, incluindo os cadastrados na Comunidade Virtual. O ano que se inicia é um ano ímpar. Sabemos que nesses anos o Programa Escrevendo o Futuro privilegia a formação de professores. Neste ano, a Comunidade Virtual participará desse trabalho com uma nova seção, a Sala dos Professores, que será inaugurada brevemente. Também teremos, daqui alguns dias, cursos virtuais sobre gêneros textuais em funcionamento.

A formação continuada dos professores

Refletir sobre o próprio trabalho e aperfeiçoá-lo continuamente é condição para a sobrevivência de qualquer profissional no mundo do trabalho. O que dizer do trabalho do professor, então? Ele é posto em cheque a cada nova turma que chega. Os alunos vêm carregados de expectativas geradas pela evolução muito rápida nos meios de comunicação. A escola precisa “correr atrás” dessas mudanças para que o diálogo com os alunos possa continuar. E sem diálogo, sabemos, não ocorre aprendizagem.

Esse é o objetivo das atividades de formação continuada deste ano no Escrevendo: contribuir para a reflexão contínua sobre as práticas pedagógicas

Este é um bom momento para retomarmos a abordagem, os objetivos e os métodos empregados pelo Programa!

Diversidade de Gêneros Textuais - Instrumento Privilegiado de Ensino

A escolha da abordagem de ensino de língua por meio de gêneros textuais não foi aleatória. As referências mais atuais sobre um ensino eficaz de Língua Portuguesa, entre elas os Parâmetros Curriculares Nacionais produzidos pelo MEC, recomendam que o aluno trabalhe na escola com uma ampla diversidade de gêneros de textos, literários e não literários, orais e escritos, e que leia, discuta e escreva com finalidades definidas, para ouvintes e leitores de dentro e de fora da escola que, de alguma forma, dêem uma resposta ao que ele escreveu.

Assim, em vez de fazer as tradicionais redações sobre as férias ou o fim de semana que apenas o professor vai ler, a produção escrita dos alunos pode ser orientada para, por exemplo, ser uma carta de solicitação pedindo à diretora da escola a liberação do uso da quadra aos domingos, ou a preparação de cartazes para uma campanha de saúde que tenha como finalidade mobilizar a comunidade, ou a escrita de poemas para serem lidos num sarau da igreja.

Os textos produzidos nessas condições ficam muito mais significativos do que aqueles feitos para a troca exclusiva com o professor, para obtenção de uma nota. Com a perspectiva de comunicação mais ampla e objetiva, os textos dos alunos deixam de ser uma escrita tipicamente escolar e passam a ser uma escrita produzida na escola, mas com significado extra-escolar, tanto para quem escreve como para quem lê.

A diversidade de gêneros textuais sugerida como instrumento de trabalho tem algumas finalidades importantes. Três delas estão destacadas abaixo.
1. Colocar o aluno em contato com gêneros textuais que são produzidos fora da escola, em diferentes áreas de conhecimento, para que ele reconheça as particularidades do maior número possível deles, e possa preparar-se para usá-los de modo competente quando estiver em espaços sociais não escolares.
2. Aproximar o aluno das situações originais de produção dos textos não escolares, como situações de produção de textos jornalísticos, científicos, literários, médicos, jurídicos, etc. Essa aproximação proporciona condições para que o aluno compreenda como nascem os diferentes gêneros textuais, apropriando-se, a partir disso, de suas peculiaridades, o que facilita o domínio que deverá ter sobre eles.
3. Trabalhar com gêneros textuais permite a integração das atividades nas aulas de Língua Portuguesa, sem a costumeira divisão artificial em exercícios separados de leitura, escrita e gramática. O trabalho com gêneros favorece também a realização de atividades com a oralidade, quase sempre esquecidas na prática escolar.


Seqüências Didáticas - Projetos de Trabalho bem Planejados

As produções de texto que seguem essa proposta de ensino não podem ser realizadas de imediato a partir de um comando único, do tipo "escreva uma redação sobre...". Elas exigem planejamento, preparação e realização de uma série de atividades que podem durar vários dias, dependendo dos objetivos que se tem. O conjunto dessas atividades integradas constitui-se como um projeto de ensino e tem sido chamado de seqüência didática.

O exemplo para essas práticas vem dos escritores reconhecidos como bons autores, sejam eles produtores de literatura, de textos jornalísticos, científicos ou outros. A experiência demonstra que nenhum escritor competente escreve sem fazer planos para realizar seu texto e sem reescrevê-lo muitas vezes, até que o resultado pareça satisfatório para a comunicação com os leitores que ele imagina que vai ter.

A prática sugerida pelo Programa Escrevendo o Futuro, a partir dessas referências, supõe que o professor organize projetos de escrita com seus alunos, envolvendo-os no planejamento, criando razões para a escrita, estabelecendo roteiros de tarefas que devem ser realizados numa seqüência didática, ensinando-os a avaliar sua escrita a partir de critérios definidos e a refazê-la quando necessário, até obter resultado satisfatório para a comunicação com seus leitores, dentro das finalidades que o gênero de texto escolhido para o trabalho exige.

Os textos produzidos a partir desses projetos demonstram aos alunos que escrever é um trabalho como outro qualquer, que todos podem fazer bem, se tiverem critérios e métodos adequados. A escrita deixa de ser uma espécie de "dom divino" que só alguns receberam, para tornar-se um instrumento de cidadania que todos podemos desenvolver.

Como a significação é essencial para que os projetos de escrita tenham bons resultados, é muito importante que o tema escolhido para os projetos de ensino de Língua Portuguesa seja relevante para os alunos. Nada poderia ter uma importância maior do que falar sobre seu mundo próximo, junto do qual os alunos constroem sua identidade.

A participação dos professores neste esforço para melhorar o ensino da língua nas escolas é o que garantirá a melhoria da qualidade de ensino tão desejada.

Fonte: Comunidade Escrevendo o Futuro – Olimpíada da Língua Portuguesa

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