segunda-feira, 25 de abril de 2011

Literatura de Cordel

CONSELHOS DE MÃE (a todas as mães sertanejas)


Se os filhos dessem ouvido
Ao que as mães lhes dissessem
Escutassem seus conselhos
Praticassem suas preces
O mundo teria paz
Não essa guerra que cresce.

Os conselhos de uma mãe
São trilhos a percorrer
Porque ela ama o filho
Como nenhum outro ser
E nunca ela quer seu mal
No bem quer vê-lo crescer.

Certa vez presenciei
O que uma mãe dizia
Com os olhos cheios d’água
A um filho que partia
E o filho ali parado
Não sei nem se lhe ouvia.

Mas os conselhos que dera
Servem pra qualquer pessoa:
Boa, má, grande ou pequena;
Seja ocupada ou à toa.
Tudo o que ela falou
Como mandamento soa.

Meu filho eu e teu pai
No dia em que te geramos
Te fizemos com carinho
Porque sempre nos amamos
E assim foste gerado
Sob a luz de tantos planos.

É por isso que te digo
Só case com quem gostar.
O amor é importante
Para os seus filhos criar.
Sem amor nada se cria
Só se leva a odiar.

Nunca use a violência
Quando quiser resolver,
Os problemas, fuja dela
Se possível até correr.
Pregue a paz com os seus gestos
E a paz você vai ter.

Procure educar seus filhos
Se um dia você tiver.
Dê escola para eles
Respeite sua mulher.
Siga pelo bom caminho
E seja um homem de fé.

Admita um Criador
Para não viver perdido
Feito muito pensador
Que não encontra sentido
Na existência de Deus
Fingindo tê-lo esquecido.

Pra realizar seus sonhos
Use a inteligência.
Ao suplicante que roga
Não lhe omita clemência.
Seja servo da virtude
Cujo nome é paciência.

Respeite aos mais idosos
Como sempre ensinei.
Ajude ao pobre que pede
E a quem não tem voz nem vez
E Deus recompensará
Pelo bem que você fez.

Filho, só peça esmola
Se não puder trabalhar.
Tendo saúde batalhe
Garanto irás encontrar.
Bata mil vezes à porta
Que um dia ela se abrirá.

Não aceite um só centavo
Que venha de furto ou roubo.
Encontrando algo de alguém
Devolva, não seja bobo.
Traria desgosto a nós
Ver-te agindo como lobo.

Respeite a natureza,
Pois dela depende a vida.
Só mate algum animal
Se estiver sem saída.
Água no deserto é ouro;
Sombra no mato dormida.

Faça sempre amizade
Com todo o povo em geral,
Pois quem tem muitos amigos
Nunca encontrará o mal,
Mas quem faz inimizades
Tem a morte por final.

Siga em frente com seus sonhos
E busque seus ideais.
O mundo lhe ensinará
O que te omitiu seus pais
Pense bem antes de agir
Faça a vida valer mais.

Seguindo estes conselhos
Garanto serás feliz.
Este é meu simples presente,
Mas o exemplo é quem diz,
Pois tu sabes muito bem
Que tudo o que disse fiz.

Porque se eu não praticasse
Estas frases que falei
Teria jogado ao vento
Tudo o que pronunciei.
Então mais vale a ação
Do que palavras de lei.

O filho abraçou a mãe
E começou a chorar.
Pegou a pequena mala
E caminhou devagar.
Mas seguiu o seu destino
Assim como peregrino
Em busca de novo lar.

Em sua mente passava
Sua história sofrida
Nas brenhas da caatinga
Numa taipera perdida.
São Paulo se apresentava
Como projeto de vida.

Cada pedaço de serra,
Cada recanto que via,
Triste acenavam adeus
À antiga companhia
Que desfrutara nos anos
Que a razão iludia.

A mãe tal qual uma ave
A refletir sobre o ninho.
Restava só a lembrança
Daquele seu passarinho
Num vôo primeiro ao longe
Cheio de risco e espinho.

Pobre mãe ficou sozinha.
A última prole partiu.
Aquela triste viúva
Grande solidão sentiu.
Era sol de primavera.
Numa eterna espera
O filho não mais reviu.

Autor: Manoel Messias Belizario Neto

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