segunda-feira, 13 de junho de 2011

Literatura de Cordel

Centenário de Patativa do Assaré.
Os mandatos comunistas e a cultura popular.
Autores: Arievaldo Viana e Jô Oliveira

Patativa centenário
Orgulho do meu Nordeste,
Foi o bardo que cantou
Serra, sertão e agreste,
Foi poeta e lavrador
Um caboclo lutador
Legítimo cabra da peste.

Os mandatos comunistas
Reconhecem seu legado;
A favor de quem trabalha
Sempre levantou seu brado,
Foi do caboclo roceiro
Defensor e companheiro
Um porta-voz aclamado.


Ceará, o nosso Estado,
Seguindo esse itinerário
Reconhece a sua luta
E seu valor literário
Orgulha-se deste filho
E quer festejar com brilho
Seu primeiro centenário.

Senador Inácio Arruda,
Vereadora Eliana,
Deputado Chico Lopes
Nessa luta se irmana
Junto com Lula Morais,
Patativa foi demais
Por isso a gente se ufana!


Um mandato comunista
Deve sempre se orgulhar
Dos heróis de nossa gente
E sua luta sem par
Em defesa do povão
Da terra e da tradição
Da Cultura Popular!

No dia 5 de março,
Mil novecentos e nove,
Nasceu Antonio Gonçalves
Poeta que nos comove
Tenho tudo na memória
E vou contar sua história
Para que ninguém reprove.


Filho de pais lavradores
Lá em Assaré nasceu
No meio daquela gente
Nosso menestrel viveu
Transformando em poesia
As lutas do dia-a-dia,
Só parou quando morreu.

Deixou verdadeiras pérolas
Da poesia matuta
Como o belo “Ingém de ferro”
Cuja força absoluta
Venceu o “Ingém de pau”...
O mestre achou isso mau
Condenou a força bruta.


“Triste Partida” é a página
Do nosso cancioneiro
Que se tornou conhecida
Por este Brasil inteiro
Na voz de Luiz Gonzaga
Narrando a penosa saga
De quem parte sem roteiro.

Com “A morte de Nanã”
Patativa denuncia
O descaso dos políticos
E a grande tirania
Dos senhores abastados
Que tratam seus empregados
Com desprezo e soberbia.


Raimundo Fagner gravou
“Vaca Estrela e boi Fubá”
Onde o poeta matuto
Não nega o seu “naturá”
Quem a conhece, que diga:
É a mais bela cantiga
Nascida no Ceará!

“Cabôca dos zói redondo”
É outra canção gravada
Por nosso Téo Azevedo
Foi a mesma musicada,
O Chico Salles gravou
E em sua obra deixou
Essa pérola registrada.


Gereba então musicou
“A festa da natureza”
Na voz de Raimundo Fagner
Ficou mesmo uma beleza...
Para quem ama este chão
Ele cantou o sertão,
Cariri e Fortaleza!

O Patativa não foi
Propriamente um cordelista
A poesia matuta
Tem outro ponto de vista
A linguagem é diferente
Mesmo assim a gente sente
A grandeza desse artista.


Ele fez alguns cordéis
E fez sonetos também
Numa linguagem correta
(Que talvez passem de cem)
Lia Camões, Castro Alves,
Os poemas de Gonçalves
Por isso escrevia bem.

O seu linguajar matuto
Foi mesmo uma opção
Pois não era analfabeto...
Mas por amar seu torrão
E toda a classe matuta
Descreveu a sua luta
Com singular expressão.


Por isso vou relembrar
Uns versos que eu já fiz
Falando da identidade
Do povo do meu país
Uma vacina segura
Para a geração futura
Ser consciente e feliz:

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