segunda-feira, 21 de março de 2011



A única coisa que realmente temos são os nossos pensamentos e não os pensamentos dos outros.
A memória não se realiza no "tomar notas" num caderno. Seu lugar é outro. Quem disse uma teoria da memória da forma mais curta é a minha querida Adélia Prado: " Aquilo que a memória ama fica eterno".
É o amor que eterniza o saber.
Estava errado o magnífico Leonardo Da Vinci que disse que só podemos amar o que conhecemos. Dentre todos os milhões de objetos de conhecimento que me cercam, como escolher aquele que vou conhecer para depois amar? A busca seria infinita. A verdade é o oposto. Quando um objeto me fascina - e é isso que caracteriza uma relação amorosa, o fascínio - então eu me debruço sobre ele para conhecê-lo. Não é por acidente que os escritores sagrados tenham usado o verbo "conhecer" para se referir ao que acontece entre os amantes
O mestre não é aquele que anuncia saberes. é aquele que seduz os seus aprendizes para o fascínio do mundo.
Aprendemos porque queremos "fazer amor" com um objeto. Um pianista aprende as dificuldades da técnica para fazer amor com o piano. Um enxadrista aprende as imensas estratégias e variações do jogo para fazer amor com o tabuleiro e as peças."

Rubem Alves
Quarto de Badulaques LXXXI
Correio Popular
27/11/05

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