sábado, 29 de outubro de 2011



O GAROTINHO

Uma vez um garotinho foi para a escola.
Ele era bem um garotinho.
E a escola era bem grande. Mas quando o garotinho viu que podia ir para a sua sala caminhando diretamente da porta lá de fora, ele ficou feliz e a escola não parecia tão grande assim.
Numa manhã, quando o garotinho estava há pouco na escola, a professora disse: "Hoje nós vamos fazer um desenho!"
"Bom!", pensou o garotinho.
Ele gostava de desenhar. Ele podia fazer todas as coisas! Leões e tigres, galinhas e vacas, trens e barcos…
E pegou sua caixa de lápis e começou a desenhar.
Mas a professora disse: "Esperem. Não é hora de começar!"
E ela esperou até que todos estivessem prontos. "Agora", disse a professora, "Nós vamos desenhar flores".
"Bom!", pensou o garotinho.
Ele gostava de desenhar flores. E começou a fazer bonitas flores com lápis rosa, laranja e azul.

Mas a professora disse: "Esperem, eu lhes mostrarei como se faz!"
E era vermelha, com a haste verde.
"Aí!" disse a professora, "Agora vocês podem começar".
O garotinho olhou a flor da professora.
Então olhou para a sua. Ele gostava mais da sua flor do que a da professora. Mas ele não revelou isso.
Ele apenas guardou seu papel e fez uma flor como a da professora.
Era vermelha, com a haste verde.
Outro dia, quando o garotinho abria a porta lá fora, a professora disse: "Hoje nós vamos trabalhar com argila!"
Cobras e bonecos, elefantes e ratos, carros e caminhões… E começou a puxar e amassar a bola de argila.
Mas a professora disse: "Esperem, não é hora de começar."
E ela esperou até que todos estivessem prontos. "Agora" disse a professora, "nós vamos fazer uma travessa."
"Bom", pensou o garotinho.
Ele gostava de fazer travessas. E começou a fazer algumas, de diferentes tamanhos e formas.
Mas a professora disse: "Esperem e eu lhes mostrarei como fazer uma travessa funda." - "Aí", disse a professora, "agora vocês podem começar".
O garotinho olhou para a travessa da professora. Então, olhou para as suas. Ele gostava mais das suas do que as da professora. Mas não revelou isso. Ele apenas amassou sua argila numa grande bola. E fez uma travessa como a da professora, que era uma travessa funda.
E logo o garotinho aprendeu a esperar e a observar. E a fazer coisas como a professora. E logo, ele não fazia as coisas por si mesmo.
Então aconteceu que o garotinho e sua família mudaram para outra casa numa outra cidade.
E o garotinho teve que ir para outra escola. Essa escola era ainda maior do que a primeira. E não havia porta lá fora direto para a sua sala. Ele tinha que subir alguns degraus e seguir por um corredor comprido para chegar a sua sala.
E, justamente no primeiro dia que ele estava lá, a professora disse: "Hoje nós vamos fazer um desenho".








"Bom", pensou o garotinho.
E esperou pela professora para dizer-lhe o que fazer. Mas ela não disse nada, apenas andou pela sala. Quando aproximou-se do garotinho, ela disse: "Você não quer desenhar?"
"Sim", disse o garotinho. "Mas o que é que eu vou fazer?"
"Eu não sei até que você faça", disse a professora.
"Como eu farei?", perguntou o garotinho.
"Por quê" disse a professora, "faça do jeito que você quiser".
"E de qualquer cor?" perguntou ele.
"De qualquer cor", disse a professora. "Se todos fizessem o mesmo desenho e usassem as mesmas cores, como eu poderia saber quem fez o que e qual era qual?"
"Eu não sei", disse o garotinho.
E começou a fazer uma flor vermelha, com a haste verde.

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