segunda-feira, 18 de abril de 2011

Apaixonar-se é bom, mas é estressante

"Amor à vista!" As turbulências de um marinheiro de primeira viagem no mundo dos relacionamentos

Por Ailton Amélio da Silva

Ilustração Paladino

Qual foi a época mais feliz na sua vida? Se você pudesse escolher, que idade teria de novo? Se você tem, digamos, mais de 30 anos, provavelmente já ouviu essas perguntas muitas vezes. As respostas variam. Muitas pessoas querem voltar à época da faculdade, outros voltariam à infância, outros ao início do casamento, e assim por diante. No entanto, raramente ouvimos a resposta: "Voltaria à minha adolescência".

Por que pouca gente gostaria de voltar à adolescência? À primeira vista, existe muita coisa boa nessa época: não temos de ganhar a vida, nossos pais estão vivos, temos roupa lavada e comida de graça. É, também, a época da descoberta do amor. Paradoxalmente, esse é um dos motivos pelos quais ninguém quer voltar à adolescência. A iniciação na vida amorosa geralmente é muito tensa, muito intensa, muito turbulenta, muito permeada de gozos e agruras. Antes, na infância, o amor era algo que apenas víamos na TV, entre os mais velhos e, com um pouco de sorte, entre nossos pais. Agora, na adolescência, o amor está acontecendo com os amigos mais próximos e (que espanto!) conosco. Aquelas pessoas horrorosas do sexo oposto de repente estão se tornando suportáveis... admissíveis... interessantes... altamente interessantes... imprescindíveis!!! Em todos os locais que freqüento existem vários possíveis parceiros amorosos na mesma situação que eu: com os hormônios sexuais transbordando, disponíveis e muito dispostos a se envolver amorosamente. Os meus pares já estão namorando, a mídia, as músicas, os livros, o zunzum que ouço, tudo proclama as maravilhas de um relacionamento amoroso. Preciso arranjar um! Puxa, como seria bom ficar com aquela pessoa! Faria qualquer coisa para dar um beijo nela! Quem sou eu? Qual meu cacife para atrair aquele ser tão interessante?

É aí que começam as agruras amorosas. Geralmente, aquelas pessoas que são mais atraentes para mim também o são para todos os meus colegas. Assim sendo, poucos de nós seremos bem-sucedidos (é a velha questão da relação entre oferta e procura). O pior de tudo é que aquela pessoa que parecia estar interessada em mim, parecia estar me paquerando, me rejeitou. Apaixonei-me e, quando tentei ficar com ela, levei um fora. O que agrava esse quadro é que ele é recorrente: a todo momento estou novamente me interessando por uma nova pessoa e toda a história se repete. "Como é bom e como é sofrido!!", confessou a esse respeito uma adolescente que participou de uma pesquisa que fiz sobre o assunto. Se sou tímido a coisa piora de vez. Não consigo "ficar" ou namorar. Perto da pessoa amada baixa uma bobeira. Fico tenso. Não consigo falar coisas inteligentes, dá um branco, faço coisas idiotas para atrair sua atenção, o meu charme me abandona. A timidez é extremamente freqüente entre os adolescentes. Segundo Bernardo J. Carducci, famoso pesquisador da Universidade de Indiana, a timidez atinge muito mais os adolescentes (50%) do que, por exemplo, as crianças (20%). A razão desse aumento da timidez na adolescência tem a ver com a enorme insegurança que é inerente a essa época da vida, na qual o corpo passa por grandes transformações. Essas alterações rápidas fazem com que o teen não reconheça o próprio corpo. Uma amostra dessa falta de parâmetros: um estudo americano verificou que dois terços das adolescentes de uma escola se consideravam as mais feias da classe.

A primeira vez de várias atividades amorosas é muito tensa: a primeira vez que "fico", a primeira vez que beijo, a primeira vez que tenho intimidades sexuais, a primeira vez que transo. Um levantamento que realizei entre adolescentes mostrou que seus maiores medos quanto à primeira relação sexual são os seguintes: engravidar (atinge mais fortemente as mulheres), contrair doenças (principalmente a Aids), doer (mulheres), falhar (homens),
o parceiro não ser a pessoa certa para mim (temor mais feminino), o parceiro me "pegar no pé" após a transa (temor mais masculino). Quanto desejo, quanta dúvida, quanta culpa! É estressante. É solitário. Mas é inevitável. Como escreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade, amar se aprende amando. A notícia boa é que a adolescência acaba um dia. A ruim é que esse aprendizado dura a vida inteira.

Ailton Amélio da Silva é psicólogo e professor universitário
http://veja.abril.com.br/especiais/jovens/p_087.html

Um comentário:

  1. Muito bonito.
    Por incriviel qu parece mim ajudou.rsrs
    entra no mu e comenta tbm.
    rsrs
    bjs
    ah postei um pequeno artigo falando sobre mim.
    a Senhora pode dar uma olhada nos erros ortograficos? Ponto,virgula e etc
    to esperando.

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